03/10/2006

Digo-te

Algarve, 17 de Agosto de 2006

Falas comigo. Eu ouço atentamente e tento perceber o que me explicas.
Falas-me como se de uma explicação matemática se tratasse... Algo que a minha mente de letras não consegue perceber.
Tentas explicar-me uma e outra vez aquilo que me queres dizer, aquilo que me queres transmitir... falas-me de uma maneira simples, agora, mas eu continuo em silêncio.
Digo-te o que entendi. Explico-te o que senti ao dizeres o que nem sabias bem o que querias dizer.
Digo-te que não faz mal, que eu entendi. Que penso que te entendi. Digo-te a minha ideia, a minha visão do que se passou.
Digo-te que não faz mal. Digo-te que as coisas sempre foram assim. Digo-te que... Digo-te que a vida continua, como sempre.
Digo-te que amanhã será diferente, que amanhã tu vais saber como te sentes e conseguir-me-ás dizer claramente o que queres.
Dizes-me que talvez assim seja. Que eu sempre soube o que te dizer...
Não! Não sei! Grito, mas tu não consegues ouvir a voz da minha alma, não ouves nem o meu coração chorar, não sabes que a minha mente de letras faz equações em que no resultado final não estou contigo... Os meus lábios mexem-se, dizem-te o que tu queres ouvir e eu... e eu mantenho-me inalterada, enquanto o meu coração se desmorona, enquanto a minha alma chora...
Não te digo que te espero.
Não te digo que te quero.
Não te digo que não te quero perder.
Não te digo que não, não te entendo.
Não te digo que sei que és tu.
Não te digo que não compreendo o que se passa.
Não te digo que te amo.
Digo-te sim... Digo-te que podes ir...


2 comments:

  1. Nossa...

    Profundo e doloroso. É como uma faca q dói e arranca pedaço.

    Que pena, que pena...

    Nem tudo é como quiséramos...

    P.S.: Fica mais dramático ainda imaginando no sotaque lusitano...

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  2. pq é q as coisas mais lindas são sempre as mais tristes?
    adorei, senti-o cá dentro*

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