05/12/2007

Carlos Drummond de Andrade

No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.

-

Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.


4 comments:

  1. Outro dia fiz um trabalho sobre "Morte no Avião" do mesmo autor. Muito bom, vale a pena. :-)

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  2. poeta matemático16:21

    Bom, Bom, bom....

    Pintura

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  3. poeta matemático17:26

    Tava pensando em escrever um poema pra você...

    O problema é que ando sem tempo pra juntas as palavras, sabe?

    Essa história de lusofonia me deixa, digamos....

    Extasiado...

    Verei se deixo pronto até semana q vem

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  4. Poeta, quando puderes, não há pressa. E obrigada só pelo pensamento!

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