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09/07/2013

Novamente o Alvim, novamente o Amor


O amor tem de saber a mar 

 
O amor bem que podia ser vendido no mercado da ribeira. Pela manhã, no meio de frutas e legumes, alguém gritaria por entre os cestos " olha o amor fresquinho! E embevecidos por isto, os fregueses abeiravam-se da banca e iam pedindo o que lhes faltava. Era um quilo de amor, se faz favor. Queria duzentos gramas para levar para a minha filha se não se importa! Olhe se for fresco - é fresquinho não é? - levo já umas duas doses. E todos sairiam do mercado cheios de amor, entranhado na pele, na roupa, nos lençóis da cama. O amor quer-se fresco, tal qual o peixe na lota. O amor tem de saber a mar, a terra húmida depois da chuva, a leite do dia à porta de casa. O amor tem de ser também do dia porque, se assim não for, acontece-lhe o mesmo que à manteiga quando está há muito tempo no frigorífico: fica rançosa. E o amor não se quer rançoso - não quer não - e por isso quem ama ou já amou ou ainda virá a amar mas ainda não sabe disso, facilmente saberá que mesmo nos dias de maior calor, o amor - tal como o fogo - não pode nunca ser congelado. Quando muito pode extinguir-se, apagar-se com umas mangueiradas de água, agora congelar para servir mais logo, não creiam nisso. O amor quer-se de vez e quando se dá, vai por ali a eito, lavrando encostas, galgando montes, galopando por entre os cabelos. O amor é um incêndio que os bombeiros não conseguem controlar. E quando o chefe da corporação diz que ele não está circunscrito, para mim é sobre o amor que fala em forma de fogo. O amor é um incêndio sim, incontrolável sim, se verdadeiro, nunca será circunscrito.
Fernando Alvim
Publicado originalmente no jornal i

02/10/2011

Mulheres com mais de 30 anos

Há coisas que já tinha notado a diferença, mas outras também acontecem. Aqui, bem explicadas!


"Para todas as mulheres com mais de 30 anos... e para aquelas que têm medo de entrar nos 30... e para os homens que têm medo das mulheres com mais de 30!
À medida que vou envelhecendo, valorizo cada vez mais as mulheres com mais de 30 anos, porque:

- Uma mulher com mais de 30 nunca te acordará a meio da noite para perguntar "Em que é que estás a pensar?". Ela não se importa com o que tu pensas.

- Se uma mulher com mais de 30 não quer ver o jogo de futebol, não se senta a teu lado a lamentar-se. Ela faz alguma coisa que queira fazer e, por vezes, é algo mais interessante.

- Uma mulher com mais de 30 conhece-se suficientemente bem a si própria para estar certa de quem é, o que quer e de quem o quer.

- Poucas mulheres com mais de 30 anos ligam alguma ao que tu possas estar a pensar sobre ela ou sobre o que ela está a fazer.

- As mulheres acima dos 30 têm dignidade. Raramente terão uma discussão aos gritos contigo na ópera ou no meio de um restaurante chique. No entanto, se tu mereceres, não hesitarão em dar-te um tiro.

- As mulheres mais velhas são generosas nos elogios, muitas vezes não merecidos. Elsa sabem o que é não ser apreciado.

- Uma mulher acima dos 30 tem segurança suficiente para te apresentar às amigas. Uma mulher mais nova acompanhada de um homem ignora frequentemente até a melhor amiga porque não confia no homem perto de outra mulher. Uma mulher com mais de 30 não se podia estar mais nas tintas se tu te vais sentir atraído pelas amigas dela, não porque confie em ti, mas porque sabe que elas não a trairão.

- As mulheres tornam-se psíquicas à medida que envelhecem. Nunca terás de confessar os teus pecados a uma mulher com mais de 30. Elas sabem sempre.

- Uma mulher com mais de 30 fica bem a usar um batom vermelho brilhante. O mesmo não se aplica às mulheres mais novas.

- Depois de ultrapassares uma ou outra ruga, vais ver que uma mulher com mais de 30 anos é de longe mais sexy do que qualquer outra colega mais nova.

- As mulheres mais velhas são correctas e honestas. Dizem-te imediatamente que és um idiota se te estiveres a comportar como tal. 

- Sim, nós elogiamos a mulher com mais de 30 por várias razões. Infelizmente, não é recíproco. Por cada bela, inteligente, segura e sexy, mulher com mais de 30 anos, existe um careca, barrigudo, em calças amarelas a fazer figura de parvo com uma empregada de mesa de 22 anos!"


Escrito por Andy Rooney, apresentador do programa da CBS "60 Minutes", mas roubado daqui.

23/04/2011

Amor, Amore, Love, Amour, Liebe

"O Amor em Portugal é um sopro ou um segredo, mas nunca é um grito. Os portugueses escondem a palavra "Amor" debaixo da língua ou atrás dos dentes como se tivessem vergonha de a soltar e, não vá ela morder alguém, quando a deixam vir cá fora espreitar amordaçam-na com o acento circunflexo (ô) que está lá mesmo sem estar.
Já os ingleses dizem "Love" como quem vai beber uma Pint a um pub, o que torna a palavra um tanto ou quanto banal. Aplicam o "Love" tanto a uma pessoa como a um objecto qualquer. Se uma inglesa me disser
"I Love you" alguma vez na vida, ficarei sempre na dúvida se ela me ama ou se me quer comprar. A palavra "Love" não se esconde como a palavra "Amor", mas circula de boca em boca como um bêbado solitário o faz nas ruas de Londres: sem dar cavaco a ninguém.
É por isso que gosto da Itália, onde "Amore" é tão grande que é difícil escondê-la onde quer que seja, quanto mais num canto da boca ou atrás dos dentes. O "Amore" é aberto e confirma-se sempre com o
"Io te voglio tanto bene" para que não restem dúvidas e para que a coisa venha com garra.
A garra, precisamente, é o que falta aos franceses. O "Amour" nunca vem só, é servido numa taça com champanhe, flores e caviar como se só pudéssemos ter o seu usufruto se lavássemos primeiro as mãos e nos vestíssemos apropriadamente. Exactamente o contrário dos alemães, cujo "Liebe" parece ter tesão para pouco mais de cinco minutos.
A forma como se diz "Amor" quer dizer tudo sobre um povo, e se é verdade que nós não somos capazes de gritar como os italianos, não nos queremos vulgarizar como os ingleses, não somos de floreados como os franceses nem martelamos como os alemães, também é verdade que segredamos como ninguém.
O nosso "Amor" é assim, um segredo que vagueia entre a louca nudez de um dia de Verão e a tristeza momentânea de um dia de chuva. Somos assim. Eu sou assim. De facto tenho orgulho nisso, num Amor que é  tão saboroso quanto melancólico e que só se dá quando os lábios se aproximam do ouvido e dizem: "Eu Amo-te!"."


do bagaço amarelo no não compreendo as mulheres

17/03/2011

From the web

A certeza do toque

Ele descobriu hoje que está sozinho. Mais concretamente pela manhã, quando ela saiu, bateu a porta de casa com mais força do que o habitual e depois manteve o telemóvel desligado pelo menos até à hora do almoço. A essa hora, esta hora, ele desistiu de lhe ligar e fez uma descoberta mais grave: já está sozinho há vários anos. Talvez por isso procure agora na água que cai do chuveiro uma carícia na pele, aquela que ela não lhe fez. E pelo ralo se escoa a promessa dum Amor para o tempo que ainda há-de vir.
E talvez seja essa carícia da água a dizer-lhe que o maior é erro é falar de Amor como se fala do tempo, esse tempo que não se sabe de onde vem nem para onde vai. Talvez o Amor não deva nunca ser uma promessa e só dessa forma possa ser uma certeza. A certeza do toque.
A certeza do toque é  certeza da mão dada, do beijo, da penetração ou do abraço. É a certeza do sono a dois e do chocolate que se divide em trincas ainda mais doces. É a certeza do ar que se partilha e se respira devagar. Sem toque não há certeza, mesmo que o tempo esteja lá e perdure.


bagaço amarelo, Não compreendo as mulheres

02/03/2011

From the web

Pick me, choose me, love me


Devaneios de uma loira & companhia - Loira

14/08/2010

Porque aquilo é um blog de gaja!

estou para aqui a dar voltas à cabeça, nada de muito intenso, porque com um olho no computador e outro no forno, com o que leva um gajo a mandar uma mensagem no ‘day after’ a explicar que há coisas que precisam de ser resolvidas antes que novas pessoas entrem em cena. é a típica mensagem ‘he's just not that into you’, mas em modo despropositado porque que te lembres também não deste sinais de que querias outra coisa. é certo que o álcool já te tinha subido à cabeça, que os saltos de sete centímetros se dão mal com a calçada portuguesa e as 3h30 da manhã talvez tenhas apoiado o teu braço no dele à procura de equilíbrio, mas e daí?
 
é certo que está cientificamente provado, se não está devia, que não há homens disponíveis, e os que existem tem obrigatoriamente defeito, caso contrário não estariam disponíveis, mas um primeiro encontro não é necessariamente meio caminho andado para levar alguém para a cama, perdoem-me se sou old fashion, nem um pedido ou tentativa de qualquer coisa mais. um velho amigo dizia-me com frequência que não pode existir verdadeira amizade entre um homem e uma mulher se houver o mínimo de atracção física, se bem me lembro ele dizia mesmo que só podia existir verdadeira amizade se houvesse alguma repugnância nesse campo, ontem voltei a confirmar que ele sempre esteve errado nesta matéria. porque o que vi e o que conheci permitiu-me manter o fascínio que já vinha de há muito tempo, mas sem a mínima vontade que isto seja mais do que uma amizade. e depois lá veio a mensagem com o blá blá blá, a legenda do 'he's just not that into you', e uma mulher fica a pensar que há gajos que simplesmente não entendem que não somos todas iguais, nem queremos todas o mesmo.
 

14/06/2010

From the web





But the central question is: I wish I knew who YOU are...


imagem daqui

14/10/2009

from the web...


e a modos que é isto que se passa... a segunda parte...

04/10/2009

22/09/2009

from the web

porque agora as palavras me têm escapado...
porque agora estou assim...
porque me apenas deixo ir...
porque há muito que fechei os olhos...
porque quero apenas ir.




23/06/2009

De vez em quando...

Há coisas que me fazem parar e admirar o que é escrito...

h.

Falamos dos heterossexuais e dos homossexuais como se o mundo fosse feito a preto e branco.
Não é.
Entre os dois extremos, simplificações teóricas, há uma infinita combinação de tons e realidades.


Há os que são mais para um lado, os que são mais para o outro, os que estão entre os dois, os que convivem pacificamente com o que descobrem de diverso em si, e os que, de tanto o temer, renegam.

Mas é só na combinação de todos os tons, e no pleno respeito pela dignidade da cada um, que se inscreve o rosto humano: h.


(peça do artista Daniel Rozin, encontrada aqui)


Tudo de 2 Dedos de Conversa

25/12/2008

há dias em que também eu gostava...

De conseguir escrever assim!

Mãos

Eram três e já se conheciam há muito tempo, mas eram só amigos. E era sábado, sessão de cinema na casa dela. Cinema, pipoca, algumas gargalhadas. O filme acabou e continuaram conversando e bebendo cerveja. Ligaram o som, contaram piadas, fofocas, as trivialidades de sempre. Riram muito.

Horas depois, estavam cansados e levemente bêbados. Ela sentou-se entre eles no sofá e ficou totalmente à vontade.

Silêncio de elevador.

Cansada, deixou a cabeça pender sobre o ombro do da direita: Carlos.

Silêncio de elevador

Diego e Carlos se entreolharam. Um não sabia o que o outro estavam pensando, mas havia um certo clima no ar, uma espécie de cumplicidade. Era aquela comunicação que os homens têm uns com os outros e que as mulheres invejam.

Ela se aconchegou ainda mais no ombro dele. A boca entreaberta, carnuda, deixava entrever os dentes. E ela respirava num ritmo tão…

Diego e Carlos sorriram. Diego fez um sinal imperceptível, um leve abano de cabeça, que Carlos interpretou como assentimento. Este acariciou o queixo dela e colocou as mãos entre os cabelos. Aquela respiração era tão…

Silêncio de elevador e ela achava estranho aquele carinho leve, delicado, mas insistente, perspicaz. Embora quisesse protestar, deixou-se levar pela mistura perigosa entre o álcool e a excitação. Sentia uma certa dormência, um torpor entre a embriaguês e a completa sobriedade. Perfeito para fazer as piores loucuras e eximir-se depois.

E ela sentiu a mão de Diego na sua coxa esquerda. Mão de homem, forte, descuidada. Mão de proletário que virtuoso caminhava com uma leveza imperceptível pela pele descoberta. E embora quisesse protestar, deixou-se levar pelo silêncio de elevador, deixando que ele percebesse os pêlos eriçados pelo arrepio.

Deixou-se levar também pela mão de Carlos, que conduzia sua boca para a dele. E esta mesma mão, delicada, bem-cuidada, burguesa, andava agora pelas suas coxas com força, como exército em marcha, tomando de assalto os campos.

Quatro mãos e duas coxas, seis lábios, uma boca que agora se dividia entre duas outras, sentindo salivas, sendo a fronteira entre dois mundos diversos. Ela passeava entre uma e outra e o silêncio de elevador é substituído agora pelos barulhos quase inaudíveis de respirações, estalos de beijos, sons de línguas que se encontram.

As mãos passeando nas coxas, caminhando unidas, poderosas, em direcção ao encontro das coxas. E no encontro destas duas frentes de batalha, unidas num armistício, dividiram entre si o campo, agora descoberto, onde deveria se travar a batalha. E eram mãos que se sucediam, solidárias, dividindo os espaços, às vezes penetrando juntas no mesmo regaço, às vezes se complementando. E a dona das coxas, agonizava em outro tipo de torpor, mais imediato, intenso.

Entregue, a dona das coxas colocou suas coxas entre outras coxas e pensando em várias coisas entregou-se ao duplo amor sobre o sofá da sala e agonizou tantas e tantas vezes, que dormiu semi-morta entre o proletário e burguês no chão, em frente à tevê. E nesse triplo sono, três mãos humanas descansavam juntas, tão juntas, que não se sabia qual das três era dona de cada dedo.

Foi uma batalha do tipo que Marx jamais sonharia.

Grande PoetaMatemático!

24/08/2008

Da Maria Lua para o meu esconderijo...

Os homens têm a mania de se perguntar o que as mulheres querem deles, como se elas fossem, assim, bichos histéricos e muito do needy, cheias de esquisitisses e extravagâncias tresloucadas, complicadas de agradar e incrompreensíveis na sua tendência de reduzirem tudo ao emocional e hormónico. Eu tenho pena deles, homens que não sabem o que as mulheres querem, pois colocando-me na sua posição também eu entraria em esquizofrenia total se tivesse de me descodificar 24/7. Eu própria não sei o que quero dum homem e os meus critérios tendem a mudar à medida que vou subindo na age box. Lembro-me que, por exemplo, para muita risota dos graúdos, aos 13 anos, queria um “moreno-louro”; aos 18 anos, queria um que me fizesse descobrir outros mundos e voada para o Canadá acabei mesmo por perder-me nos braços luxuriosos de um vietnamita; aos 23 anos, queria um que me desse paz e sossego, em outras palavras, não queria homem nenhum porque tinha encontrado nos livros os melhores amantes de sempre; e, agora, aos 28 anos, quero uma lenda arturiana. Sim, uma lenda arturiana. Ora vejam. No outro dia, li no Sunday Times que para se livrar à morte, o jovem Artur teve um ano para descobrir o que as mulheres querem. Na sua busca incessante encontrou uma sábia donzela que lhe disse - What women want is exactly the same as men: sovereignty over their lives. E eu não poderia estar mais de acordo. Acho que neste momento, posso dizer com (uma certa) certeza, que é isso o que primeiramente quero dum homem. Um homem que me ame pelo que eu sou e me deixe ser rainha da minha gloriosa existência. Mistério resolvido. Ta da!

É isto mesmo! Não é mistério nenhum e é basicamente o que todos queremos.
Claro que eu aos 13 anos não queria um moreno-loiro, mas aos 18 também queria ir conhecer o mundo. Aos 23 não queria nenhum. Mas agora também quero a tal lenda arturiana!